Olá crespos e crespas.

Desde já quero desejar muita saúde, amor e trabalho a todos os nossos leitores e simpatizantes. Que 2016 seja um ano cheio de cremes para pentear e óleos vegetais maravilhosos para as nossas carapinhas 🙂 .

Saudações feitas, vamos a que interessa: o nosso tema de hoje. Porque ainda estamos com as cabeças frescas e o ano ainda esta em modo “lentium” pela ressaca das festas, resolvi começar com um pouco de teoria sobre a tipificação dos cabelos naturais. Este tema quase sempre constitui dúvida para muitos naturais e muitas vezes é algo confuso. Por esta razão resolvi iniciar esta série de artigos, que irá explicar inicialmente os sistemas mais comuns de classificação de cabelos de uma forma geral e resumida, e subsequentemente iremos entrar na especificidade de cada um dos sistemas.

Essencialmente existem quatro tipos de sistemas de classificação ou tipificação de cabelos:

  • O sistema de Andre Walker;
  • O sistema LOIS;
  • O sistema FIA e;
  • O sistema de global de texturas

Vamos agora ver do que trata cada um deles de uma forma genérica e nos próximos artigos iremos descortinar cada um deles:

SISTEMA DE ANDRE WALKER

Actualmente este é o sistema mais famosos e amplamente usado pela comunidade natural. Ele foi criado pelo famoso cabeleireiro Andre Waker (responsável pelos cabelos de celebridades como Oprah Winfrey, Halle Berry, Barbara Bush e Michelle Obama) no seu livro “Andre Talks Hair”.

Ele divide o cabelo essencialmente em quatro tipos, gravitando do mais liso (tipo 1) ao mais encaracolado (tipo 4). Dentro destas quatro categorias, ainda existem subdivisões (a;b;c), relacionadas com a  abertura dos cachos, exceptuando os fios do tipo 1, em que as subdivisões estão relacionadas com a grossura do fio.

SISTEMA DE ANDRE WALKER

Traduzido de Andre Walker no Pintarest

Tipo 1: Cabelo liso – subdivide-se em:

  • 1a – mais fino,
  • 1b – de grossura mediana e
  • 1c – mais grosso e resistente para fazer penteados;

Tipo 2: Cabelo ondulado – este cabelo não é muito oleoso e nem muito seco o formato de “S”. As suas subcategorias sao:

  • 2a – fino, maleável e pode ser esticado ou encaracolado com facilidade;
  • 2b – as ondas deste formato tendem a aderir ao formato da cabeça;
  • 2c – é relativamente grosso e “frizza” com facilidade

Tipo 3: Cabelo encaracolado – tem o formato de um “S” mais apertado do que o do tipo 2 e quando molhado ele aparenta ser liso:

  • 3a – é bastante brilhante e com cachos abertos;
  • 3b – tem caracóis mais fechados, em formato de espiral;
  • 3c – este tipo não faz parte da classificação original de Andre Walker. Ele foi criado pela comunidade do site NaturallyCurly.com após o lançamento deste sistema de tipificação. Tem caracóis mais apertados do que o tipo 3b.

Tipo 4: Cabelo crespo/carapinha – tem os caracóis extremamente apertados ou em formato de zigue-zague. Este cabelo é extremamente frágil, apesar da sua aparência grossa. Este é o tipo de cabelo mais comum entre as pessoas de raça negra. Para Andre Walker, se se consegue ver um padrão especifico, o cabelo é 4a. Se não se consegue identificar um padrão especifico, o cabelo é 4b. A semelhança do cabelo 3c, o 4c também não consta da classificação inicial. Embora não se tenha a certeza, acredita-se que esta ultima classificação tenha sido criada por algum membro dentro da comunidade negra natural. Este cabelo seria o mais crespo da classe e sem nenhum formato identificável.

O SISTEMA L.O.I.S

Este sistema foi criado pelos membros de um website que infelizmente não esta mais activo, o OurHair.net. Ele utiliza três características  para a classificação do cabelo

LOIS Naturalissima

  • O formato dos fios com base nas letras:
              L – cabelo crespo, em zigue-zague;
              O – cabelo encaracolado,
              I – cabelo liso e
              S – cabelo ondulado;
  • O tamanho do fio – se é menor, igual ou maior que o fio de linha para costura ele é fino, médio ou grosso respectivamente;
  • A textura – se é leve, rijo, felpudo, esponjoso ou sedoso

Importa salientar que este método permite combinar formatos variados com as outras características. Por exemplo: um cabelo pode ser LO, fios médios e felpudos.

O SISTEMA FIA

Aparentemente, este sistema é uma expansão do sistema de Andre Wlaker e incorpora algumas componentes do sistema L.O.I.S. Essencialmente este sistema usa três classificadores:

  • 1º Classificador: define o tipo de cabelo pela forma como ele encaracola ou não encaracola, a semelhança do sistema de Andre Walker (1- liso; 2-ondulado; 3-encaracolado; 4-muito encaracolado);
  • 2° Classificador: enfatiza a aparência da maioria dos fios, a semelhança da classificação do fio do sistema L.O.I.S (F – fino; M- médio; C – grosso)
  • 3° Classificador: mede o volume do cabelo através da medição da circunferência do totó, onde foi apanhado todo o cabelo. Não precisa ser um totó bonito, apenas que sirva para medir a circunferência do mesmo. Com menos de 5 cm é fino, de 5 cm a 10 cm é médio e com mais de 10 cm é grosso.

SISTEMA GLOBAL DE TIPIFICAÇÃO DE TEXTURA

O comércio de uma forma geral, criou este sistema de tipificação  usando varias características, que, quando aferidas da forma correcta, pode beneficiar imensamente o desenvolvimento de técnicas de estilização e rotinas capilares adequadas a cada individuo, bem como ajudar na escolha de produtos apropriados. As características a serem avaliadas são:

  • Textura;
  • Ondulação quando seco;
  • Ondulação quando molhado;
  • Elipticabilidade;
  • O grau de maleabilidade e capacidade de estilização;
  • Volume;
  • Elasticidade e forca do fio;
  • A tendência ao frizz;
  • O brilho;
  • A hidratação;
  • Oleosidade do couro;
  • A porosidade;
  • A suavidade da superfície do fio

Na minha opinião a tipificação dos fios capilares é útil e tem a sua importância na adequação de rotinas e de produtos, no entanto, ela não é crucial. Mais importante é, como eu sempre digo, “ouvirmos” o nosso cabelo. Ele nos indicará o caminho certo a seguir.